terça-feira, 6 de agosto de 2013

DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM


DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

A aprendizagem e a construção do conhecimento são processos naturais e espontâneos de todos os seres humanos que desde muito cedo aprende a mamar, falar, andar, pensar, garantindo assim, a sua sobrevivência. Com aproximadamente três anos, as crianças são capazes de construir as primeiras hipóteses e já começam a questionar sobre a existência.

A aprendizagem escolar também é considerada um processo natural, que resulta de uma complexa atividade mental, na qual o pensamento, a percepção, as emoções, a memória, a motricidade e os conhecimentos prévios estão envolvidos e onde a criança deva sentir o prazer em aprender.

O estudo do processo de aprendizagem humana e suas dificuldades são desenvolvidos pela Psicopedagogia, levando-se em consideração as realidades interna e externa, utilizando-se de vários campos do conhecimento, integrando-os e sintetizando-os. Procurando compreender de forma global e integrada os processos cognitivos, emocionais, orgânicos, familiares, sociais e pedagógicos que determinam à condição do sujeito e interferem no processo de aprendizagem, possibilitando situações que resgatem a aprendizagem em sua totalidade de maneira prazerosa.

Segundo Maria Lúcia Weiss, “a aprendizagem normal dá-se de forma integrada no aluno (aprendente), no seu pensar, sentir, falar e agir. Quando começam a aparecer “dissociações de campo” e sabe-se que o sujeito não tem danos orgânicos, pode-se pensar que estão se instalando dificuldades na aprendizagem: algo vai mal no pensar, na sua expressão, no agir sobre o mundo”.

Atualmente, a política educacional prioriza a educação para todos e a inclusão de alunos que, há pouco tempo, eram excluídos do sistema escolar, por portarem deficiências físicas ou cognitivas; porém, um grande número de alunos (crianças e adolescentes), que ao longo do tempo apresentaram dificuldades de aprendizagem e que estavam fadados ao fracasso escolar pôde freqüentar as escolas e eram rotulados em geral, como alunos difíceis.

Os alunos difíceis que apresentavam dificuldades de aprendizagem, mas que não tinha origens em quadros neurológicos, numa linguagem psicanalítica, não estruturam uma psicose ou neurose grave, que não podiam ser considerados portadores de deficiência mental, oscilavam na conduta e no humor e até dificuldades nos processos simbólicos, que dificultam a organização do pensamento, que consequentemente interferem na alfabetização e no aprendizado dos processos lógico-matemáticos, demonstram potencial cognitivo, podendo ser resgatados na sua aprendizagem.

Raramente as dificuldades de aprendizagem têm origens apenas cognitivas. Atribuir ao próprio aluno o seu fracasso, considerando que haja algum comprometimento no seu desenvolvimento psicomotor, cognitivo, lingüístico ou emocional (conversa muito, é lento, não faz a lição de casa, não tem assimilação, entre outros.), desestruturação familiar, sem considerar, as condições de aprendizagem que a escola oferece a este aluno e os outros fatores intra-escolares que favorecem a não aprendizagem.

As dificuldades de aprendizagem na escola podem ser consideradas uma das causas que podem conduzir o aluno ao fracasso escolar.

Não podemos desconsiderar que o fracasso do aluno também pode ser entendido como um fracasso da escola por não saber lidar com a diversidade dos seus alunos.

É preciso que o professor atente para as diferentes formas de ensinar, pois, há muitas maneiras de aprender.
O professor deve ter consciência da importância de criar vínculos com os seus alunos através das atividades cotidianas, construindo e reconstruindo sempre novos vínculos, mais fortes e positivos.

O aluno, ao perceber que apresenta dificuldades em sua aprendizagem, muitas vezes começa a apresentar desinteresse, desatenção, irresponsabilidade, agressividade, etc. A dificuldade acarreta sofrimentos e nenhum aluno apresenta baixo rendimento por vontade própria.

Durante muitos anos os alunos foram penalizados, responsabilizados pelo fracasso, sofriam punições e críticas, mas, com o avanço da ciência, hoje não podemos nos limitar a acreditar, que as dificuldades de aprendizagem, seja uma questão de vontade do aluno ou do professor, é uma questão muito mais complexa, onde vários fatores podem interferir na vida escolar, tais como os problemas de relacionamento professor-aluno, as questões de metodologia de ensino e os conteúdos escolares.

Se a dificuldade fosse apenas originada pelo aluno, por danos orgânicos ou somente da sua inteligência, para solucioná-lo não teríamos a necessidade de acionarmos a família, e se o problema estivesse apenas relacionado ao ambiente familiar, não haveria necessidade de recorremos ao aluno isoladamente.
A relação professor/aluno torna o aluno capaz ou incapaz. Se o professor tratá-lo como incapaz, não será bem sucedido, não permitirá a sua aprendizagem e o seu desenvolvimento. Se o professor mostrar-se despreparado para lidar com o problema apresentado, mais chances terão de transferir suas dificuldades para o aluno.

Os primeiros ensinante são os pais, com eles aprendem-se as primeiras interações e ao longo do desenvolvimento, aperfeiçoa. Estas relações, já estão constituídas na criança, ao chegar à escola, que influenciará consideravelmente no poder de produção deste sujeito. É preciso uma dinâmica familiar saudável, uma relação positiva de cooperação, de alegria e motivação.
Torna-se necessário orientar aluno, família e professor, para que juntos, possam buscar orientações para lidar com alunos/filhos, que apresentam dificuldades e/ou que fogem ao padrão, buscando a intervenção de um profissional especializado.

Dicas para os pais:                                 
  1. Estabelecer uma relação de confiança e colaboração com a escola;
  2. Escute mais e fale menos;
  3. Informe aos professores sobre os progressos feitos em casa em áreas de interesse mútuo;
  4. Estabelecer horários para estudar e realizar as tarefas de casa;
  5. Sirva de exemplo, mostre seu interesse e entusiasmo pelos estudos;
  6. Desenvolver estratégias de modelação, por exemplo, existe um problema para ser solucionado, pense em voz alta;
  7. Aprenda com eles ao invés de só querer ensinar;
  8. Valorize sempre o que o seu filho faz, mesmo que não tenha feito o que você pediu;
  9. Disponibilizar materiais para auxiliar na aprendizagem;
  10. É preciso conversar, informar e discutir com o seu filho sobre quaisquer observações e comentários emitidos sobre ele.
Cada pessoa é uma. Uma vida é uma história de vida. É preciso saber o aluno que se tem como ele aprende. Se ele construiu uma coisa, não se pode destruí-la.
O psicopedagogo ajuda a promover mudanças, intervindo diante das dificuldades que a escola nos coloca, trabalhando com os equilíbrios/desequilíbrios e resgatando o desejo de aprender.


 Uma caracterização sobre distúrbios de aprendizagem
Lourdes P.de Souza Manhani, Regina Célia T.Craveiro, Rita Cássia A.Rodrigues, Rose Inês Marchiori

Introdução
Nas literaturas sobre aprendizagem, muito se tem discutido sobre distúrbios versos dificuldade de aprendizagem, ficando claro que não são sinônimos.
Sem pretensão de esgotar o assunto, apresentamos uma revisão bibliográfica na visão de diversos autores sobre as terminologias adotadas.

No Brasil, foi ( Lefèvre:1975) que introduziu o termo distúrbio de aprendizagem como sendo:
síndrome que se refere à criança de inteligência próxima à média, média ou superior à média, com problemas de aprendizagem e/ou certos distúrbios do comportamento de grau leve a severo, associados a discretos desvios de funcionamento do Sistema Nervoso Central (SNC), que podem ser caracterizados por várias combinações de déficit na percepção, conceituação, linguagem, memória, atenção e na função motora”.

Após esta data, muito se tem discutido e abordado sobre o assunto, visto a importância no contexto da aprendizagem, surgindo diversos trabalhos e outras definições sobre o assunto.

Conforme (Fonseca: 1995) distúrbio de aprendizagem está relacionado a um grupo de dificuldades específicas e pontuais, caracterizadas pela presença de uma disfunção neurológica. Já a dificuldade de aprendizagem é um termo mais global e abrangente com causas relacionadas ao sujeito que aprende, aos conteúdos pedagógicos, ao professor, aos métodos de ensino, ao ambiente físico e social da escola.

Já em (Ciasca e Rossini: 2000) as autoras defendem que a dificuldade de aprendizagem é um déficit específico da atividade acadêmica, enquanto o distúrbio de aprendizagem é uma disfunção intrínseca da criança relacionada aos fatores neurológicos.

Os fatores neurológicos citados pelos autores significam que essas dificuldades estão relacionadas na aquisição e no uso da audição, fala, leitura, escrita, raciocínio ou habilidades matemáticas que se referem às disfunções no sistema nervoso central.
Não podemos também deixar de considerar que as dificuldades de aprendizagem muitas vezes podem ocorrer concomitantemente com outras situações desfavoráveis, como: alteração sensorial, retardo mental, distúrbio emocional, ou social, ou mesmo influências ambientais de qualquer natureza.

Diante de todo o contexto envolvendo distúrbios de aprendizagem, é necessário que muito se reflita acerca de como podemos contribuir na aprendizagem dessas crianças.
Uma conclusão prévia que já nos atrevemos a traçar é de que não é prudente inserirmos todas as crianças com distúrbio de aprendizagem num mesmo grupo.
Para melhor distinção entre os distúrbios de aprendizagem, é evidente que devemos tomar como base as manifestações mais evidentes que produzem impacto no desempenho da criança.
Há pelo menos dois grupos que se distinguem pelo quadro que apresentam.
Enquanto num podemos encontrar crianças com um quadro de deficiência mental, sensorial (visual, auditiva) ou motora, resultem de retardo mental, afecções neurológicas ou sensoriais, de outro lado, ou outro grupo de crianças que apresentam como manifestação os problemas escolares decorrentes de alterações de linguagem cuja inteligência, audição, visão e capacidade motora estão adequadas, sendo, então, o quadro de distúrbio de aprendizagem decorrente de disfunções neuropsicológicas que acometem o processamento da informação, resultando em problemas de percepção, processamento, organização e execução da linguagem oral e escrita.

Uma das questões fundamentais nesse contexto é detectar as manifestações desses distúrbios. A princípio parece-nos óbvio que alguns casos são perfeitamente perceptíveis, porem é relevante e necessário que saibamos como podem aparecer as manifestações de distúrbio de aprendizagem.

Alguns autores já abordaram o assunto de uma forma que nos fica evidente como os sintomas aparecem ou são manifestados.
Um dos autores que trata esse assunto de uma forma bastante clara é Lerner (1989), que descreveu as manifestações da seguinte forma:
·                    Distúrbios da atenção e concentração que retrata os comportamentos das crianças com e sem hiperatividade e impulsividade;
·                    Problemas receptivos e de processamento da informação diz respeito à competência lingüística, como as atividades de escrita, distinção de sons e de estímulos visuais, aquisição de léxico, compreensão e expressão verbal;
·                    Dificuldades de leitura manifestada pela aquisição das competências básicas relacionadas a fase de decodificação, como sendo a compreensão e interpretação de textos, as dificuldades de escrita e presença de erros ortográficos em gera.
·                    Dificuldades na matemática, que se revelam na aquisição da noção de números, no lidar com quantidades e relações espaços-temporais e problemas de aquisição e utilização de estratégias para aprender, manifestados na falta de organização e utilização de funções metacognitivas, comprometendo o sucesso na aprendizagem.




Definições sobre Aprendizagem:
- Aprendizagem é a aquisição de conhecimento ou especialização; faz-nos ignorar todo processo oculto existente no ato de aprender;
- Mudança permanente de comportamento, resultado de exposição a condições do meio ambiente;
- Um processo evolutivo e constante, que implica uma seqüência de modificações observáveis e reais no comportamento do indivíduo, de forma global (físico e biológico), e do meio que o rodeia, onde esse processo se traduz pelo aparecimento de formas realmente novas compromissadas com o comportamento.
Tanto na visão neurológica como em diversas correntes psicológicas, a aprendizagem, apresenta pontos comuns e com significados intrínsecos, que convergem para o fato de que tudo aquilo que se sabe, o homem deve aprendê-lo, porém, é na escola que há um vínculo integrativo da sociedade, cuja principal forma de ação é sobre o indivíduo em seu desenvolvimento global, direta e abrangentemente, visando à maior possibilidade de renovação e liberdade.
O aprendiz é concebido como um manipulador inteligente e flexível que busca a informação e trata de organizá-la, integrá-la, armazená-la e recuperá-la, de forma ativa e ajustada às estruturas cognitivas de que dispõe internamente.
Prestar atenção, compreender, aceitar, reter, transferir e agir são alguns dos componentes principais da aprendizagem. Todavia, se isso não ocorrer, com o aprendiz, implica que há nessa criança um Distúrbio de Aprendizagem.
Mas o que é Distúrbio de Aprendizagem?
Designam-se crianças que apresentam dificuldades de aquisição de matéria teórica, embora apresentem inteligência normal, e não demonstrem desfavorecimento físico, emocional ou social.

Segundo essa definição, as crianças portadoras de distúrbio de aprendizagem não são incapazes de aprender, pois os distúrbios não é uma deficiência irreversível, mas uma forma de imaturidade que requer atenção e métodos de ensino apropriados. Os distúrbios de aprendizagem não devem ser confundidos com deficiência mental.

Considera-se que uma criança tenha distúrbio de aprendizagem quando:
a) Não apresenta um desempenho compatível com sua idade quando lhe são fornecidas experiências de aprendizagem apropriadas;
b) Apresenta discrepância entre seu desempenho e sua habilidade intelectual em uma ou mais das seguintes áreas; expressão oral e escrita, compreensão de ordens orais, habilidades de leitura e compreensão e cálculo e raciocínio matemático.
Além disso, costuma-se considerar quatro critérios adicionais no diagnóstico de distúrbios de aprendizagem.


Para que a criança possa ser incluída neste grupo, ela deverá:
a) Apresentar problemas de aprendizagem em uma ou mais áreas;
b) Apresentar uma discrepância significativa entre seu potencial e seu desempenho real;
c) Apresentar um desempenho irregular, isto é, a criança tem desempenho satisfatório e insatisfatório alternadamente, no mesmo tipo de tarefa; 
d) O problema de aprendizagem não é devido a deficiências visuais, auditivas, nem a carências ambientais ou culturais, nem problemas emocionais.
Principais distúrbios de aprendizagem:
1- Dislexia
Refere-se à falha no processamento da habilidade da leitura e da escrita durante o desenvolvimento, é um atraso no desenvolvimento ou a diminuição em traduzir sons em símbolos gráficos e compreender qualquer material escrito. São de três tipos: visual, mediada pelo lóbulo occipital fonológica, ediada pelo lóbulo temporal; e mista, com mediação das áreas frontal, occipital, temporal e pré-frontal.
2- Disgrafia
Falha na aquisição da escrita implicando uma inabilidade ou diminuição no desenvolvimento da escrita.
3- Discalculia
Falha na aquisição da capacidade e na habilidade de lidar com conceitos e símbolos matemáticos.
Diagnósticos de distúrbios de aprendizagem
O processo de diagnosticar é como levantar hipóteses. Uma boa hipótese ou teoria explica uma grande quantidade de dados observáveis que são originados de diferentes níveis de análise.

O diagnosticador apresenta vantagens importantes que compensam. Uma delas é que ele possui muito mais dados sobre um sujeito do que geralmente um pesquisador tem sobre todo o grupo de sujeitos.

Para diagnosticar deve haver:
  • Sintomas apresentados;
  • O histórico inicial do desenvolvimento;
  • Histórico escolar;
  • O comportamento durante os testes;
  • Os resultados dos testes;
Como diagnosticadores e terapeutas, é importante ter um bom domínio de quais características caem em qual categoria (algumas são típicas da espécie e outras são únicas do indivíduo).

Embora um bom clínico deva estar consciente e fazer uso dos atributos únicos de um paciente, o processo científico na compreensão e no tratamento dos distúrbios mentais dependem de como eles apresentam variação “moderada”, diferenciando características de grupos dentro de nossa espécie. Se assim, não for, o trabalho com saúde mental se reduz apenas a tratar os problemas que cada um enfrenta na vida ou a recriar o campo para cada indivíduo único.

Outra crítica pressupõe um único modelo de causalidade física para todos os distúrbios comportamentais. A maioria dos diagnósticos não fornece uma explicação para todos os aspectos do paciente. Eles permitem tratamento e identificação eficiente, e a pesquisa sobre um dado diagnóstico pode levar a identificação precoce ou a prevenção. Podem contribuir para pesquisa básica em desenvolvimento humano.

Finalmente, o diagnóstico em si pode ser terapêutico para pais e pacientes, porque um diagnóstico acurado fornece uma explicação para os sintomas que perturbam o paciente e um foco para os esforços que os pais e a criança já estão fazendo para aliviar os sintomas.
Diagnóstico diferencial
Os diagnósticos são um emaranhado de situações associadas, que dependem de algumas poucas restrições de peso e de muitas restrições mais leves.
Nem todos os pacientes com determinados distúrbios apresentam os sintomas característicos. Ex: Nem sempre um autismo têm estereotipias motoras ou aversão à fixação do olhar, embora sejam sintomas freqüentes do autismo. Estes sintomas oferecem evidências para este diagnóstico, mas sua ausência não viola uma restrição de peso. A tomada de decisão diagnóstica envolve a ponderação da adequação de diferentes diagnósticos competitivos às restrições de peso e às leves, fornecidas pelos dados.
Um outro componente importante no processo de diagnóstico é o reconhecimento de que isto é um processo e de que as decisões diagnósticas não são possíveis até que haja dados suficientes.

Como há poucas restrições de peso em diagnósticos, diagnósticos duplos (ou triplos) são possíveis e mesmo desejáveis. Crianças com distúrbios de aprendizagem têm freqüentemente um segundo diagnóstico psiquiátricos co-morbido, que pode ou não estar etiologicamente separado dos distúrbios de aprendizagem. No modelo o “espaço diagnóstico” é definido por duas dimensões, uma para distúrbios de aprendizagem e a outra para distúrbios psiquiátricos.
A finalidade do diagnóstico é encontrar o ponto neste espaço bidimensional que melhor se ajuste ao funcionamento cognitivo e emocional presente do paciente.

Não se supõe que os dois eixos tenham diferentes implicações etiológicas, com os distúrbios de aprendizagem sendo mais orgânico e os distúrbios emocionais mais “ambientais”. Ao contrário, todos os diagnósticos em cada eixo são conceitualizados como resultado do funcionamento alterado do sistema nervoso central (SNC), sendo estas alterações causadas por certa mistura de influências genéticas e ambientais, em que influências ambientais se referem a fatores de riscos tanto neuro-evolutivos, como ferimento na cabeça, quanto à história de aprendizagem social da criança.

Uma parte importante e às vezes negligenciada da avaliação da criança com distúrbios de aprendizagem é o fornecimento de um feedback ou retorno aos pais, a profissionais e à criança que é o paciente.
Aspectos psicopedagógicos:
As causas mais freqüentes para as dificuldades de aprendizagem:
1- Escola
Além da instituição escola, estão incluídos nestes item os fatores intra-escolares como inadequação de currículos, de programas, de sistemas de avaliação, de métodos de ensino, e relacionamento professor - aluno. Vale salientar a necessidade de diferenciar com uma especial atenção, as crianças com dificuldades de aprendizagem das crianças com dificuldades escolares. Para elas essas últimas revelam a incompetência da instituição educacional no desempenho de seu papel social e não podem ser consideradas como problemas dos alunos.
É comum vermos professores usando material de ensino desestimulante, desatualizado, totalmente desprovido de significado para muitas crianças, sem levar em consideração suas diferenças individuais. O aluno não se envolve no processo de ensino-aprendizagem e fica mais difícil a assimilação de conhecimentos.
2- Fatores intelectuais ou cognitivos.
3- Déficits físicos e ou sensoriais.
4- Desenvolvimento da linguagem.
5- Fatores afetivos-emocionais e espirituais.
6- Fatores ambientais (nutrição e saúde).
7- Diferenças culturais e ou sociais.
8- Dislexia.
9- Deficiência não verbais.
Numa criança com DA o desenvolvimento se processa mais lentamente do que em outra criança, especialmente na área da atenção seletiva. Não considere essas crianças defeituosas, deficientes ou permanentemente inaptas. Podem aprender!
Procure uma forma de ensino. Não procure algo que esteja errado na criança. É provável que seu método de ensino e a forma de aprendizagem pela criança estejam em defasagem. Nem a criança nem o professor devem ser responsabilizados por isso, mas o professor pode ser responsável se não tentar algo mais.
Conclusões e considerações finais
Ao nos depararmos com quadros de crianças com distúrbios de aprendizagem nos surgem a preocupação em que nós professores podemos contribuir para que esse aluno, mesmo diante de suas dificuldades possa aprender? A esse questionamento refletimos sobre o papel da escola e a inter-relação com a família.
Consideremos que o papel da escola deveria ser o de desenvolver o potencial de cada um, respeitando as características individuais do aluno e sempre procurando reforçar os pontos fracos e auxiliando na superação dos pontos fracos, evitando dessa forma que as dificuldades que as crianças possuem na sejam motivos para serem excluídas no processo de aprendizagem e muito menos possam ser rotuladas ou discriminadas.
Outro fator que muito colabora no papel da escola, é a família, pois permite a troca de experiência entre pais e professores. É muito importante que haja uma integração entre os ambientes (escola e família) para se compor o quadro de uma forma real e objetiva.
Tanto os pais quanto os professores precisam entender que as dificuldades que a criança possua não é culpa de ninguém, e que se tiver um trabalho em conjunto todos serão beneficiados, principalmente a criança.
Temos que ter em mente que não há criança que não aprenda, o que ocorre é que algumas aprendem de modo mais rápido, outras não, mas sem sombras de dúvida, chega-se a conclusão que independentemente da via neurológica utilizada, o sucesso escolar de crianças com distúrbios de aprendizagem possa ser uma associação de fatores que envolvam ambiente adequado + estímulo+ motivação + organismo, possibilitando que o professor na sua árdua tarefa de lidar com as mais diferentes adversidades saiba que antes de tudo, ser necessário saber avaliar, distinguir e principalmente querer mudar, respeitando cada criança em seu estado de desenvolvimento.
Kátia Barbosa Rumbelsperger - CRPA 07909/09

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Introdução
    No cotidiano escolar o professor depara-se com uma série de dificuldades. Podemos mencionar questões financeiras, problemas no preparo profissional, falta de reconhecimento da profissão por parte de governantes e mesmo da clientela, dificuldade de aprendizagem dos alunos, questões comportamentais, entre outras.
    Entendendo que o professor de Educação Física está inserido neste contexto, que tem como princípio fundamental trabalhar o movimento respeitando as individualidades e limitações de seus alunos, e sabendo que cada aluno é detentor de características específicas no seu "eu", buscamos compreender neste trabalho o fenômeno TDAH, verificando possibilidade de preparar o professor que atua com estas crianças para ser capaz de diferenciar a hiperatividade de um comportamento indisciplinado.
    Os sintomas da indisciplina e da hiperatividade são semelhantes, mas há diferenças comportamentais que diferenciam a hiperatividade.
    A criança portadora do TDAH, nos demonstra com mais precisão as características da doença em idade escolar. O profissional da educação é um dos mais indicados para encaminhar crianças para um diagnóstico especializado deste problema devido à sua convivência cotidiana com a criança em situações grupais. Mediante a constatação do problema, o educador deve informar aos pais orientando qual o procedimento a ser seguido.
    Esta pesquisa visa identificar os comportamentos indicativos da hiperatividade de forma a alertar pais e professores sobre a necessidade de identificá-los e encaminhá-los para tratamento especializado. Metodologia
    O trabalho consta de uma revisão da literatura sobre os possíveis indicadores do distúrbio da hiperatividade que possam ser detectados no comportamento dos alunos, dando condições ao professor para encaminhá-los a uma orientação especializada.
    Foram utilizados, como fonte de pesquisa, sites da Internet buscando como palavras chave: Hiperatividade, TDAH, déficit de aprendizagem, hipercinesia, ADD (attencion deficit disorder), ADHD (attencion deficit disorder hyperactivity), resumos de conferências educacionais, livros e enciclopédias que remetiam-se ao tema, e a escolha de uma maior quantidade de materiais nacionais serviu para ilustrar que o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, no Brasil, tem se fundamentado cada vez mais com uma maior significância. O critério para a escolha dos textos referendados na pesquisa foi o de comparação por nível de significância.

Resultados

Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH)
1. Características
    O TDAH é uma doença que afeta de 3 a 5 % da população escolar infantil , comprometendo o desempenho, dificultando as relações interpessoais e provocando baixa auto-estima. (SMITH e STRICK, 2001).
    As crianças com TDAH são freqüentemente acusadas de "não prestar atenção", mas na verdade elas prestam atenção a tudo. O que não possuem é a capacidade para planejar com antecedência, focalizar a atenção seletivamente e organizar respostas rápidas.
    O TDAH é um problema comum e se caracteriza por dificuldades em manter a atenção, inquietação acentuada (por vezes hiperatividade) e impulsividade. É também chamado de DDA (Disfunção de Déficit de Atenção).
    O TDAH na infância, dos 6 aos 10 anos, em geral se associa a dificuldades na escola e no relacionamento com as demais crianças, pais e professores. Os portadores não conseguem realizar os vários projetos que planejam e são tidos como "avoados", "vivendo no mundo da lua", geralmente "estabanados" e com o "bicho carpinteiro". Muitas crianças tem um comportamento desafiador e opositivo associado, não respeitam limites e enfrentam ativamente os adultos.
    É considerado também como um distúrbio biopsicossocial, ou seja, parece haver fortes fatores genéticos, biológicos, sociais e vivênciais, que contribuem para a intensificação desse problema. O TDAH seria, para o portador, uma maneira diferente de pensar, ocasionando graves dificuldades de relacionamento.
    A quantidade e o ritmo de movimentos acima do normal, também causa dificuldades. A movimentação da criança é tanta que ela precisa ser vigiada o tempo todo, pois corre riscos de se envolver em situações perigosas. A criança hiperativa tem mais energia e menos necessidade de sono e repouso.
    Geralmente os hiperativos, quando bebês, se mexem muito durante o sono, são estabanados quando começam a andar, podem apresentar um retardo na fala e trocam as letras por um tempo maior que o normal, porém apenas esses sintomas não são suficientes para a definição do quadro de hiperatividade.
    Na escola é que a criança hiperativa vai demonstrar as características que definem a doença, como: dificuldade em se concentrar; não conseguir ficar envolvida com uma coisa só; movimentar-se e conversar constantemente. Um outro sintoma é a impulsividade, comportamento que se caracteriza por não pensar antes de agir podendo provocar situações perigosas, como atravessar a rua sem antes olhar.
    As dificuldades na escola não surgem só pela falta de atenção, mas também por distúrbios viso-perceptivos.
    Nessa síndrome a criança apresenta dificuldade em discriminar a direita da esquerda, em orientar-se no espaço, em fazer discriminações auditivas e em elaborar sínteses auditivas. Apresenta alterações de memória visual e auditiva. A outra característica importante é a má estruturação do esquema corporal. (GOLFETO, 1992, p. 12).
    A difícil aprendizagem na escola agrava a hiperatividade: se a criança não prospera em seus afazeres, fica desmotivada e com a sua auto-estima abalada, sentindo frustração, ocasionando intensa excitação e intensa raiva, até mesmo maiores que as das crianças comuns.

2. Causas

    Esse distúrbio é de origem genética (BASTOS, THOMPSON, MARTINEZ, 2000) e é causado pela pouca produção de Catecolaminas (adrenalina e noradrenalina), que é uma classe de neurotransmissores responsável pelo controle de diversos sistemas neurais no cérebro, incluindo aqueles que governam a atenção, o comportamento motor e a motivação. Uma visão de base neurológica para o TDAH é que baixos níveis de catecolaminas resultam em uma hipoativação desses sistemas. Portanto os indivíduos afetados não podem moderar sua atenção, seus níveis de atividade, seus impulsos emocionais ou suas respostas a estímulos no ambiente tão efetivamente quanto as pessoas com sistemas nervosos normais.
    Nos anos 30, estudiosos observaram que drogas estimulantes (metilfenidato e pemolina) aumentavam o nível de catecolaminas no cérebro, normalizando temporariamente o comportamento de crianças hiperativas e com fraco controle dos impulsos (SMITH e STICK, 2001). Ao contrário do que algumas pessoas tem como verdade, os estimulantes atuam no cérebro inibindo as áreas responsáveis pela hiperatividade, ou seja, em vez de estimular, acabam acalmando a pessoa.
    A causa também pode ser atribuída a um distúrbio bioquímico (decréscimo da produção e/ou liberação de catecolaminas), traumatismo de parto, doenças ou acidentes acontecidos no início do processo do desenvolvimento do sistema nervoso central. Entre outros fatores, pode-se mencionar uma severa privação sensorial e de estimulação no início do desenvolvimento da criança.
    Como podemos ver, várias hipóteses explicam as causas da hiperatividade.
    Embora a responsabilidade sobre a causa do TDAH geralmente caia sobre toxinas (compostos de natureza química variada, proteínas, paptídeo, lipídeo, glicoproteínas, etc., produzidas por bactérias, fungos, micoorganismos e mesmo plantas, que ao serem introduzidos no organismo humano, geralmente de forma incidental, podem desencadear respostas imunológicas em graus variados, eventualmente causando a morte), problemas no desenvolvimento, alimentação, hereditariedade, ferimento e malformação, as pesquisas mostram diferenças significativas nas estruturas e no funcionamento do cérebro de pessoas com TDAH, particularmente nas áreas do hemisfério direito do cérebro, no córtex pré-frontal e gânglios da base, corpo caloso e cerebelo.
  Esses estudos estruturais e metabólicos somados a estudos genéticos, bem como a pesquisa sobre a reação às drogas, demonstram claramente que o TDAH é um transtorno neurobiológico. Apesar da intensidade dos problemas experimentados pêlos portadores variarem de acordo com suas experiências de vida, tem como fator determinante a genética.
    A hiperatividade pode manifestar-se também como sintoma isolado, mas a incidência de comorbidades (ocorrência de dois ou mais problemas de saúde) em indivíduos portadores do TDAH é muito alta geralmente sendo acompanhada por outros problemas de saúde mental. (ROHDE E BENCZIK, 1999).
    Tanto pode ocorrer em crianças de famílias com tendência a problemas psiquiátricos como em famílias normais.
    Autores indicam uma maior incidência na população masculina. Segundo pesquisas recentes, a proporção meninos/meninas é no máximo de dois meninos para cada menina com TDAH. A razão da diferença na proporção de meninos/meninas entre os estudos antigos e recentes é simples: as meninas tendem a apresentar mais TDAH com predomínio de sintomas de desatenção; portanto, incomodam menos na escola e em casa do que os meninos, sendo então menos levadas à avaliação em serviços de saúde mental. (ROHDE & BENCZIK, 1999, p. 45).
    Na visão de Smith e Strick esse parecer já não vigora, "...muitos especialistas acreditam que ambos os gêneros apresentam o mesmo risco.".
    Nem sempre os pais admitem que o filho é hiperativo. "Muitos acham que a criança é esperta demais e, por isso, está sempre interessada em novidades", afirma Helena Samara, diretora da Escola Móbile, de São Paulo. "Além disso, eles acreditam que o tratamento com medicamentos pode tirar a espontaneidade do pequeno." Helena tem dois alunos nessa situação matriculados em suas turmas. Para um deles, a escola desenvolve sozinha um trabalho pedagógico intensivo, pois os pais não aceitam o diagnóstico. Em relação a isso, a escola pode ser um local privilegiado para a identificação do problema.
    Muitos desses problemas de conduta acontecem com crianças, principalmente, pela falta de habilidades dos pais e professores (GOLDSTEIN, 1998). Embora algumas delas sejam gentis e simpáticas, a maioria apresenta-se desconfiada, agressiva, impopular entre os colegas e acaba se tornando, de certa forma, uma criança anti-social. Muitas vezes chegam a desenvolver hábitos mais graves, como mentir e roubar, devido ao excesso de repreensões e castigos (ROHDE & BENCZIK, 1999).
    Há algum tempo atrás, pensava-se que os sintomas desse problema diminuiriam na adolescência, mas pesquisas (BASTOS; THOMPSON; MARTINEZ, 2000) mostram que a maioria das crianças chegam a maturidade com um padrão de problemas muito similar aos da infância e que, quando adultos experimentam dificuldades no trabalho, na comunidade e com seus familiares.
    Acredita-se que com um diagnóstico e o tratamento correto, um grande número de problemas como: repetência escolar, abandono de estudos, depressão, distúrbios de comportamento, problemas vocacionais e de relacionamento, bem como o uso de drogas, podem ser adequadamente tratados e até mesmo evitados.

3. Critérios para diagnóstico

    O distúrbio é caracterizado por comportamentos crônicos, com duração de no mínimo seis meses, que se instalam definitivamente antes dos sete anos.
    Iniciando o diagnóstico, o médico procura observar o comportamento social da criança, suas atividades na escola e no lar, as influências do meio em sua conduta. Faz-se também exames para verificar se existe alguma doença no sistema nervoso central que exija tratamento. Alguns testes podem esclarecer problemas ligados à aprendizagem, envolvendo a percepção e a linguagem.
    Os critérios listados abaixo são os critérios da Associação Americana de Psiquiatria utilizados oficialmente para a definição do diagnóstico de TDAH em crianças e adultos, tanto no Brasil como no resto do mundo.
    O DSM IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) apresenta os sintomas que caracterizam os tipos de TDAH e a freqüência com que eles devem aparecer para que se possa definir a existência ou não do transtorno. Os sintomas devem ser constantes, com duração mínima de 6 meses e não estarem limitados a uma situação apenas.





3.1. TDAH tipo desatento - a pessoa deve apresentar, pelo menos, seis das seguintes características:
a.    Não enxerga detalhes ou comete erros por falta de cuidado;
b.    Dificuldade em manter a atenção;
c.    Parece não ouvir quando se fala com ela;
d.    Dificuldade em organizar-se;
e.    Evita/não gosta de tarefas que exigem um esforço mental prolongado;
f.     Freqüentemente perde os objetos necessários de uma atividade;
g.    Distrai-se com facilidade;
h.    Esquecimento nas atividades diárias.

3.2 . TDAH tipo hiperativo/impulsivo - a pessoa deve apresentar, pelo menos,seis das seguintes características;

a.    Inquietação, mexendo as mãos e os pés ou se remexendo na cadeira;
b.    Dificuldade em permanecer sentada;
c.    Corre sem destino ou sobe nas coisas excessivamente (em adultos, há um sentimento subjetivo de inquietação);
d.    Dificuldades de engajar-se numa atividade silenciosamente;
e.    Fala excessivamente;
f.     Responde perguntas antes de serem formuladas;
g.    Age como se fosse movida a motor; (sic)
h.    Dificuldades em esperar sua vez;
i.     Interrompe conversas e se intromete.

3.3. Outras características - podem aparecer junto com as descritas ou no lugar delas:

a.    Dificuldade em terminar uma atividade ou um trabalho
b.    Ficar aborrecida com tarefas não estimulantes ou rotineiras
c.    Falta de flexibilidade (não saber fazer transição de uma atividade para outra)
d.    Imprevisibilidade de comportamento
e.    Não aprender com os erros passados
f.     Percepção sensorial diminuída
g.    Problemas de sono
h.    Difícil de ser agradada
i.     Agressividade
j.     Não ter noção do perigo
k.    Frustrar-se com facilidade
l.     Não reconhecer os limites dos outros
m.  Dificuldade no relacionamento com colegas
n.    Dificuldades nos estudos
    As pessoas que apresentam sintomas de TDAH na infância demonstram uma probabilidade maior de desenvolver problemas relacionados com o comportamento de oposição sistemática, delinqüência, transtornos de conduta, depressão e ansiedade.
    Relatos sobre adultos com TDAH mostram que eles enfrentam problemas sérios de comportamento anti-social, desempenho educacional e profissional pouco satisfatório, depressão, ansiedade e abuso de substâncias tóxicas.
    A maioria dos adultos de hoje que não tiveram diagnóstico quando crianças, cresceram lutando com uma deficiência que demonstra sintomas similares aos apresentados pelas crianças. São freqüentemente inquietos, facilmente distraídos, lutam para conseguir manter o nível de atenção, são impulsivos e impacientes e, por isso, no ambiente de trabalho não conseguem alcançar boa posição profissional compatível com sua educação familiar ou habilidade intelectual.
    Pelo exposto, verificamos que o diagnóstico de TDAH pede uma avaliação ampla. Não se pode deixar de considerar e avaliar outras causas para o problema. Para tanto, é preciso estar atento à presença de distúrbios concomitantes.
    Com freqüência, ouve-se de profissionais da área da educação que o empenho em se fazer um diagnóstico médico não se traduz, em geral, em vantagens práticas significativas, nem para o educando nem para o educador.
Ouve-se, também, que rotular crianças não tem nenhuma outra função além de estigmatizá-la e de fazer dela uma "Síndrome" e não mais um aluno.
Esta idéia tem tanta aceitação entre alguns profissionais que alguns procedimentos como, por exemplo, testes psicométricos, são evitados para que os tais "rótulos" não possam ser aplicados.
Uma primeira questão seria saber se o neurologista tem instrumentos que lhe permitem definir melhor o prejuízo presente e apontar, eventualmente, caminhos a serem seguidos no processo de habilitação. A resposta a esta questão é, evidentemente, sim.
O neurologista, hoje um neurocientista, tem a possibilidade, através do exame clínico e dos recursos propedêuticos existentes e disponíveis entre nós, de identificar inúmeras condições que podem conduzir a prejuízos na área da educação.
    Segundo Schwartzman (2001)1 a determinação de um perfil neuropsicológico permite que possamos conhecer não apenas os canais mais incompetentes, mas, o mais importante, quais os canais mais competentes, através dos quais deveremos enfatizar os esforços terapêuticos.
    Atualmente, há um consenso no sentido de que muito mais útil do que insistir na tentativa de normalizar ou enfatizar a incompetência dos indivíduos é tentar investir nas suas habilidades.
A identificação do diagnóstico funcional e sindrômico pode auxiliar, também, a reconhecer condições neurológicas progressivas que podem manifestar-se, inicialmente, de modo muito sutil, por vezes através de um distúrbio do comportamento e/ou da aprendizagem escolar.
A identificação de uma patologia progressiva, freqüentemente letal e geneticamente determinada, é evidentemente desejável e o mais precocemente possível.
Por outro lado, compete ao neurologista a prescrição de psicofármacos que poderão, em certas circunstâncias, ser extremamente benéficos aos alunos, melhorando, inclusive, a aprendizagem e/ou minimizando problemas comportamentais presentes e que podem interferir muito com a atividade escolar de alguns deles.
A parceria com o educador permitirá que eventuais melhoras, bem como possíveis pioras, possam ser identificadas nas salas de aula e discutidas com o médico.
 A compreensão, na maior profundidade possível, do quadro clínico do nosso aluno especial será de extrema valia na discussão de que tipo de escolaridade deverá ser indicada. Nesta época, em que se discute com muita ênfase a inclusão do aluno especial nas escolas normais, uma compreensão exata do grau de comprometimento do aluno, bem como uma idéia realista a respeito de seu potencial educacional, poderá nortear os técnicos no sentido de optarem por um ambiente escolar normal ou um especial/protegido.
Muito embora esteja de acordo no sentido de que seria desejável que todos os alunos estivessem incluídos e adaptados à escola normal, acredito que certos tipos de prejuízos impedirão que esta inclusão se faça com vantagens para o aluno. A inclusão dependerá não apenas dos limites impostos pela condição de base, mas também das facilidades existentes na comunidade à qual o aluno pertence.
    O aspecto mais importante do processo de diagnóstico é um cuidadoso histórico clínico e do desenvolvimento da criança.
    Em entrevista divulgada no site do Hospital das Clínicas da USP, o Dr. Ênio Roberto de Andrade coordenador do Ambulatório, afirma que deve-se ter cuidado para não se diagnosticar como hiperatividade - ou transtorno do déficit de atenção/ hiperatividade - comportamentos apropriados à idade, em crianças ativas. O diagnóstico deve ser feito pelo psiquiatra pois, na maioria das vezes, a criança é encaminhada para as mais diversas especialidades não chegando a um tratamento
    O processo de diagnóstico deve incluir dados recolhidos com professores e outros adultos que, de alguma forma, interagem de maneira rotineira com a pessoa avaliada.
    No diagnóstico de adultos com TDAH, mais importante ainda, é providenciar um histórico cuidadoso da infância, do desempenho acadêmico e dos problemas comportamentais e profissionais.

4. Tratamento

    Segundo Bromberg (2001) 3 , uma vez determinado o problema, se faz necessário o trabalho multidisciplinar envolvendo pais, professores e terapeutas.
    Estes devem fazer um planejamento quanto às estratégias e intervenções que serão implementadas para o atendimento desse aluno. Tais estratégias envolvem: modificação do ambiente, adaptação do currículo, flexibilidade na realização e apresentação de tarefas, adequação do tempo de atividade, administração e acompanhamento de medicação, etc..
    A maneira mais eficiente de tratar o TDAH é através de trabalho de grupo, que envolve tanto abordagens individuais com o portador como medicação, acompanhamento psicológico, terapias específicas, técnicas pedagógicas adequadas; e estratégias para as outras pessoas que convivem com ele como terapia para os pais ou família, esclarecimento sobre o assunto para pais e professores, treinamento de profissionais especializados (GOLDSTEIN, 1994).
    Para que uma criança ou jovem com TDAH tenha a possibilidade de desenvolver seu potencial e caminhar pela vida de maneira adequada e gratificante, é necessário que as pessoas envolvidas no processo de acompanhamento mantenham estreita comunicação e forte colaboração (SMITH e STRICK, 2001).






4.1. Medicamentos
    Ao contrário do que pode parecer ao senso comum, o TDAH não é tratado com calmantes.
    Os medicamentos mais utilizados para o controle dos sintomas do TDAH são os psicoestimulantes dos quais entre 70% a 80% das crianças e adultos apresentam resposta positiva. Crianças com TDAH apresentam uma melhora acentuada, com redução do comportamento impulsivo e hiperativo e aumento da capacidade de atenção.
    Em alguns casos de tratamento da hiperatividade, que inclui a psicoterapia, o uso de certos anti-depressivos (psicotrópicos) são recomendados pelos médicos.
    Foi observado pela medicina, o que pode parecer paradoxal, que o ideal é a utilização de medicamentos excitantes, como a anfetamina, medicamento que acalma o comportamento hiperativo da criança, mas que provoca alguns efeitos colaterais graves, como a hipertensão, hepatite ou perda de apetite.
    Outro medicamento usado é o cloridrato de metilfenidato (Ritalim), considerado o "padrão-ouro" no tratamento do TDAH da infância, sendo o mais utilizado pelos médicos, e, na psiquiatria infantil, é a droga mais bem estudada (BANDIN, 1997; ROHDE e KETZER, 1997) 4 , mas também apresenta efeitos colaterais como falta de apetite, insônia, e retardo no crescimento corporal.
    "Em casos leves, o distúrbio pode ser tratado apenas com terapia e reorientação pedagógica", diz o psiquiatra Ênio de Andrade. 5 "Os casos graves necessitam de tratamento com medicamentos.
    O tratamento é feito por um período mínimo de dois anos, mas deve durar até a adolescência, quando os sintomas diminuem ou desaparecem, graças ao amadurecimento do cérebro, que equilibra a produção da dopamina
    Estudos de seguimento em crianças e adolescentes portadores de TDAH têm demonstrado que a abordagem "multimodal", incluindo medicações, intervenções psicossociais e psicoterapia são mais eficazes que o tratamento farmacológico ou psicoterápico isolado (POPPER,1997). 6
    Aumenta a cada dia o reconhecimento da eficiência dos tratamentos na redução dos sintomas imediatos, no entanto os pesquisadores acreditam que, somente reduzir os sintomas dos portadores de TDAH não traz resultados satisfatórios a longo prazo. Portanto, os tratamentos são aplicados para permitir alívio dos sintomas, enquanto se trabalha no sentido de auxiliar a pessoa a construir uma vida bem sucedida ao máximo.

4.2. Outras abordagens terapêuticas

    A massagem vem se evidenciando como um tratamento alternativo junto a pacientes com TDAH. Um estudo realizado no Touch Research Institute, da Escola de Medicina da Universidade de Miami, USA, mostrou o efeito dessa terapia em 28 adolescentes diagnosticados com TDAH.
    Os alunos passaram por uma sessão de massagem ou uma terapia de relaxamento durante 10 dias escolares consecutivos. Os autores do estudo (FIELD, HERNANDEZ, KOSLOVSKY, 1998), registraram que o grupo que recebeu massagem ficava mais alegre e menos inquieto após as sessões. Após duas semanas de experiência, os professores relataram que esses alunos estavam permanecendo mais tempo envolvidos com suas tarefas e demonstravam comportamento em sala de aula menos hiperativo do que anteriormente.
    A psicomotricidade trabalha com a movimentação da criança hiperativa objetivando um melhor controle da criança sobre seus movimentos prevenindo ou corrigindo dificuldades apresentadas. Os exercícios psicomotores devem ser acompanhados por especialistas (ROMERO e AGUIAR, 2001).
    Técnicas de relaxamento podem auxiliar crianças hiperativas de mais idade, tais como: Yoga, Tai-chi-chuan, Liangong, Meditação. O aprendizado dessas técnicas de relaxamento traz um maior controle sobre a agitação (característica do distúrbio). Outro tratamento alternativo é com Florais de Bach não sendo reconhecido como medicação pela Associação Médica, mas é uma constante a informação pelos pais de melhora significativa das crianças tratadas com eles. Porém, é necessário buscar informação séria e vasta para sua utilização. 7
    A terapia do comportamento procura adaptar a criança ao seu ambiente, interferindo no comportamento da criança hiperativa e também dos que o cercam.
    Dessa forma, grande parte da responsabilidade do resultado e das atividades da criança recai sobre os pais, professores e outros adultos que convivem com a criança. Todos devem receber orientação psicológica.
    Segundo Goldstein (1999), quando o tratamento ocorre no lar, o ambiente deve ser tranqüilo, com rotina estabelecida, evitando a superexcitação e o cansaço excessivo. Os pais devem ter atitudes firmes, mas evitar a opressão para que não ocorram crises de raiva ou agressividade. A maneira de comunicar e dar ordens, deve ser clara e precisa. Ex.: "Venha se lavar para o jantar." - é uma frase mais eficiente do que: "Meu bem, o jantar está quase pronto, pode ir se lavar."
    Da mesma forma, não devem ser dadas ordens que possibilitem reações alternativas como: dizer-lhe que pode tomar banho agora ou mais tarde (isso seria procurar um problema para resolver). As conversas tem que ser em tom adequado, não falar gritando e nem usar o tom monótono, falsamente pausado. Uma voz enfatizada, bem entonada é o melhor meio de se conseguir o que se deseja. Os gritos irritam terrivelmente. É preciso cuidado para não transmitir ansiedade à criança e nem ignorar suas dificuldades. É necessário discutir com ela sobre as suas dificuldades das quais ela tenha consciência e estar sempre presente, dando o apoio que ela precisa, sempre tomando cuidado para não dar superproteção, inibindo assim, a iniciativa da criança.
    A escolha de tarefas deve ser feita no sentido de possibilitar que ela seja bem sucedida. Isso compensará o trabalho escolar e propiciará a necessária auto-afirmação.
    Quando a criança hiperativa ainda for pequena, é conveniente deixá-la em espaços que não tenham riscos de acidentes retirando do ambiente objetos perigosos e coisas que possam machucá-la. Recomenda-se desenvolver atividades físicas que exijam gasto de energia como: brincadeiras com corrida, jogo de bola, natação.
    Embora a hiperatividade tenda a diminuir com a idade (SMITH e STRICK, 2001), ela pode dar origem a outros problemas como desajustamento ou quadros neuróticos, devido às frustrações repetidas. Mesmo que o TDAH desapareça na infância, a criança ainda pode ter dificuldades no aprendizado.
    Somente um pequeno número de crianças conseguem superar sozinhas, sem tratamento, parte do problema da hiperatividade (TDAH). É importante diagnosticar o problema o mais cedo possível, pois o comportamento da criança variará conforme o tratamento.
    Os pais não devem se assustar com o diagnóstico, porque se a criança com TDAH for convenientemente educada, o prognóstico é bastante favorável, principalmente com o passar dos anos, pois a maturação age em seu benefício. Mesmo que não seja esse o caso, é muito importante a aceitação e compreensão por parte dos pais e o tratamento reeducativo persistente e contínuo até a normalização possível da deficiência.
    "Tornar as tarefas interessantes e fazer a recompensa valer a pena" (GOLDSTEIN, 1999) parece ser extremamente importante para pessoas com TDAH.
5. Recomendações aos pais
    Um programa de treinamento para os pais de crianças com TDAH freqüentemente começa com ampla divulgação de informações. A lista que segue, elaborada a partir da literatura consultada, destaca alguns pontos de uma série de estratégias que podem ajudá-los.
    Os pais devem:
a.    Compreender que, para poder controlar em casa o comportamento resultante do TDAH, é preciso ter um conhecimento correto do distúrbio e suas complicações.
b.    Ser coerentes, previsíveis em suas ações e mostrar apoio as crianças em suas interações diárias, pois como foi dito, este não é apenas um problema que pode ser curado. O distúrbio afetará a criança durante toda sua vida.
c.    Manter-se numa posição de intermediação entre a escola e outros grupos.
d.    Dar instruções positivas.
e.    Cuidar para que seus pedidos sejam feitos de maneira positiva ao invés de negativa.
f.     Recompensar amplamente o comportamento adequado. Crianças com TDAH exigem respostas imediatas, freqüentes, previsíveis coerentemente aplicadas ao seu comportamento.
g.    Planejar adequadamente.
h.    Aprender a reagir aos limites de seu filho de maneira positiva e ativa. As regras devem ser claras e concisas. Atividades ou situações nas quais já ocorreram problemas devem ser evitadas.
i.     Punir adequadamente, porém compreendendo que a punição só trará uma modificação de comportamento para a criança com TDAH, se acompanhada de uma estratégia de controle.
    Enfim, os pais das crianças com TDAH devem acreditar que terão mais força a partir do momento em que enfrentarem cada dia com uma atitude de esperança, encorajamento, aceitação e honestidade.






6. Recomendações aos professores
    O TDAH é com freqüência apresentado erroneamente como um tipo específico de problema de aprendizagem. Ao contrário, é um distúrbio de realização. Sabe-se que as crianças com TDAH são capazes de aprender, mas têm dificuldades de se sair bem na escola devido ao impacto que os sintomas têm sobre uma boa atuação.
    Na escola, as crianças com TDAH podem apresentar, em geral, a inteligência média ou acima da média (SMITH e STRICK, 2001). Porém apresentam alguns problemas na aprendizagem ou no comportamento, associados aos desvios das funções do sistema nervoso central, propiciando dificuldades na percepção, conceitualização, linguagem, memória, controle da atenção, função motora e impulsividade.
    A impulsividade da criança com TDAH é anormal: não consegue parar de mexer nas coisas, diz coisas fora de hora, mesmo sabendo que não deveria dize-las. Seus impulsos colocam-na em constantes conflitos com os pais, colegas e professores. Seu descontrole emocional é demonstrado pela irritabilidade, pela agressividade e pelo choro. Tem mudanças freqüentes e inesperadas de humor. Assusta-se e entra em pânico por motivos tolos. Algumas são retraídas, inibidas e frustram-se com facilidade; são incapazes de concentrar-se na ação; perdem o interesse quando utilizam materiais que exigem esforços de conceitos.
    É durante o período escolar que aparecem as manifestações mais evidentes da hiperatividade. A criança não consegue aprender a ler normalmente, tem dificuldades de abstração, apresenta problemas em tarefas que exijam coordenação visomotora; sua escrita, cópia e desenhos são inadequados e com problemas perceptivo-motores. É considerada desajeitada, sem equilíbrio e sem ritmo, ou seja, sua coordenação, no geral, é deficitária.
    Na idade escolar, crianças com TDAH, apresentam maior probabilidade a repetência, evasão escolar, baixo rendimento acadêmico e dificuldades emocionais e de relacionamento. Supõe-se que os sintomas da TDAH sejam catalisadores, tornando as crianças vulneráveis ao fracasso nos dois processos mais importantes para um bom desenvolvimento: o relacionamento social e a escola.
    Além dos comportamentos anteriormente mencionados, para poder distinguir um hiperativo de um aluno com distúrbios mais leves de atenção, deve-se estar atento a três fatores:
a.    Contínua agitação motora,
b.    A impulsividade
c.    Impossibilidade de se concentrar.
    Porém estas atitudes, por parte do aluno, devem ser constantes por pelo menos seis meses.
    Professores que possuam alunos que apresentam problemas de hiperatividade devem ter muita paciência e disponibilidade, pois eles precisam de muita atenção. A criança hiperativa geralmente possui baixa auto-estima pelo fato de apresentar dificuldades na concentração e os professores que não conhecem os problemas relacionados ao TDAH consideram-na como exemplo negativo para os demais alunos.
    É necessário desenvolver um repertório de intervenções para atuar eficientemente no ambiente da sala de aula com a criança portadora de TDAH. Um outro repertório de intervenções deve ser desenvolvido para educar e melhorar as habilidades deficientes da criança.
    Segundo os psiquiatras Mônica Duchesne e Ênio Roberto de Andrade (ABDA, 2002) pode-se usar métodos didáticos alternativos para melhoria do comportamento e desenvolvimento pedagógico da criança hiperativa:
a.    Trabalhar com pequenos grupos, sem isolar as crianças hiperativas;
b.    Dar tarefas curtas ou intercaladas, para que elas possam concluí-las antes de se dispersarem;
c.    Elogiar sempre os resultados;
d.    Usar jogos e desafios para motivá-los;
e.    Valorizar a rotina, pois ela deixa a criança mais segura, mantendo sempre o estímulo, através de novidades no material pedagógico;
f.     Permitir que elas consertem os erros, pedindo desculpas quando ofender algum colega ou animarem a bagunça da classe;
g.    Repetir individualmente todo comando que for dado ao grupo e fazendo-o de forma breve e usando sentenças claras para entenderem;
h.    Pedir a elas que repitam o comando para ter certeza de que escutaram e compreenderam o que o professor quer;
i.     Dar uma função oficial às crianças, como ajudantes do professor; isso faz com que elas melhorem e abram espaços para o relacionamento com os demais colegas;
j.     Mostrar limites de forma segura e tranqüila, sem entrar em atrito;
k.    Orientar os pais a procurarem um psiquiatra, um neurologista ou um psicólogo.
    O sucesso em sala de aula, freqüentemente, exige uma série de intervenções. A maioria das crianças com TDAH, pode permanecer na classe normal, com pequenos ajustes na sala, como a utilização de um auxiliar ou programas especiais a serem usados fora da sala de aula. As crianças com problemas mais sérios exigem salas de aula especiais.
    Uma sala de aula eficiente para crianças desatentas deve ser organizada e estruturada. Primeiramente, o professor deve estar preparado o suficiente para receber uma criança portadora de TDAH e procurar conhecer melhor o quadro da disfunção, para saber como lidar com ela. Depois, um programa de reforço baseado em ganhos e perdas, deve ser parte integrante do trabalho de classe. A avaliação do professor deve ser freqüente e imediata.
    Recomenda-se ignorar pequenos incidentes. O material didático deve ser adequado às habilidades da criança. Estratégias cognitivas que facilitem a auto-correção, e que melhorem o comportamento nas tarefas, devem ser ensinadas.
    As tarefas devem variar, mas continuar sendo interessantes para o aluno, assim como a criatividade e habilidade do professor mediante às tarefas. Os horários de transição (mudanças de tarefas) das crianças devem ser supervisionados. A comunicação entre pais e professores deve ser freqüente. Os professores também precisam ficar atentos ao quadro negativo de seu comportamento. As expectativas devem ser adequadas ao nível de habilidade da criança e deve-se estar preparado para mudanças.
    Os professores devem ter conhecimento do conflito incompetência X desobediência e aprender a discriminar entre os dois tipos de problemas.


    Ainda no rol de intervenções específicas que o professor pode fazer para ajudar a criança com TDAH a se ajustar melhor à sala de aula, apresentam-se as seguintes:
a.    Proporcionar estrutura, organização e constância (sempre a mesma arrumação da cadeiras, programas diários e regras claramente definidas);
b.    Colocar a criança perto de colegas que não o provoquem, perto da mesa do professor, na parte de fora do grupo;
c.    Elogiar, encorajar e ser afetuoso, porque essas crianças desanimam facilmente.
d.    Dar responsabilidades que elas possam cumprir, fazendo com que se sintam necessárias e valorizadas;
e.    Proporcionar um ambiente acolhedor, demonstrando calor e contato físico de maneira equilibrada;
f.     Nunca provocar constrangimento ou menosprezar o aluno;
g.    Favorecer oportunidades sociais e proporcionar trabalho de aprendizagem em grupos pequenos, pois em grupos menores as crianças conseguem melhores resultados;
h.    Comunicar-se com os pais da criança porque, geralmente, eles sabem o que tem melhor funcionamento com seu filho;
i.     Ir devagar com o trabalho e parcelar a tarefa. Doze tarefas de cinco minutos cada, trazem melhores resultados do que duas tarefas de meia hora;
j.     Adaptar suas expectativas quanto a criança, levando em consideração as diferenças e inabilidades decorrentes do TDAH;
k.    Recompensar os esforços, a persistência e o comportamento bem sucedido ou bem planejado;
l.     Proporcionar exercícios de consciência e treinamento dos hábitos sociais da comunidade. Uma avaliação freqüente sobre o comportamento da criança consigo mesma e com os outros, ajudará bastante;
m.  Estabelecer limites claros e objetivos;
n.    Facilitar o freqüente contato aluno/professor, pois auxilia em um controle extra sobre a criança e possibilita oportunidades de reforço positivo e incentivo a um comportamento mais adequado;
o.    Permanecer em constante comunicação com o psicopedagogo, psicólogo ou orientador da escola. Este é o melhor ponto de ligação entre a escola, os pais e o médico.

Considerações finais

    Confirmamos pela literatura pesquisada que pessoas com TDAH passam boa parte de sua vida sendo consideradas incapazes, tendo sua auto-estima rebaixada e apresentam dificuldades em relacionar-se socialmente. São agitadas em demasia, concentram-se pouco e sua paciência é limitada. Crianças com TDAH estão sujeitas ao fracasso escolar, a dificuldades emocionais e a um desempenho significativamente negativo como adultos, quando comparados a seus colegas.
    Procuramos mostrar que pais e professores podem, de maneira eficaz, auxiliar na reintegração do indivíduo aos grupos sociais e possibilitar a estimulação e valorização de seu aprendizado. Esclarecemos também que, apenas um médico pode fornecer o diagnóstico definitivo sobre o TDAH. O trabalho coletivo entre pais, professores, psicólogos e médicos permitirá à criança incluir-se em uma rotina estruturada em seu cotidiano, criando assim possibilidades de desenvolverem uma vida normal.
    Assim, a identificação precoce do problema, seguida por um tratamento adequado, tem demonstrado que essas pessoas podem vencer os obstáculos.
    Acreditamos que as escolas ainda deixam muito a desejar, confundindo TDAH com indisciplina, má vontade, preguiça, má fé. O próprio amadurecimento do nosso conhecimento através da realização da pesquisa evidenciou que a ação pedagógica do professor não pode ser definida isoladamente senão em contato com médicos e terapeutas que fazem o tratamento da criança hiperativa e/ou desatenta, uma vez que condutas diferenciadas devem ser assumidas em cada caso particular. A partir desta pesquisa, sugerimos a veiculação, através dos meios de comunicação, de orientações sobre o TDAH como, também, a oferta de cursos, palestras sobre TDAH, voltada para professores (principalmente do ensino fundamental), pais (de indivíduos com TDAH) e interessados em geral, proferidas por psiquiatras, fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas de família e/ou psicopedagogos. Essas orientações, portanto, não seriam suficientes para a definição de uma ação pedagógica universal, mas recomendariam uma análise pormenorizada e responsável de cada caso.

Notas

1.    SCHWARTZMAN, J.S.. Neurologia e Pedagogia: uma parceria possível e desejável. Disponível em: http://search.php?query=&topic=39&author=search.php?query=&topic=39&author=. Acesso em: 18 maio 2001.
2.    ANDRADE, E.R.. Disponível em: http://hcnet.usp.br/releases/hiper.htm. Acesso em: 15 mar 2002.
3.    BROMBERG, M.C.. Disponível em: http://www.hiperatividade.com.br. Acesso em 04 set 2001.
4.    Bandim JM. Transtorno de déficit de atenção. Tratamento farmacológico e rendimento escolar. Neurobiologia 1997; 60(2): 46-57. ROHDE LA, KETZER CR. Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. In: FICHTNER N (org). Transtornos Mentais da Infância e Adolescência - um enfoque desenvolvimental. Porto Alegre: Artes Médicas; 1997, p.106-119.
5.    ANDRADE, E.R.. "Disponível em: http://hcnet.usp.br/releases/hiper.htm Acesso em: 15/03/2002
6.    Popper CW. Antidepressants in the treatment of attention-deficit/hyperactivity disorder. J Clin Psychiatry. 1997; 58 Suppl 14:14-29; discussion 30-1.
7.    Disponível em: http://www.geocities.com/HotSprings/Oasis/2826/terapias.html. Acesso em: 01 jan 2002.







Fecundação Os primeiros registro da matriz de todos os sentimentos de rejeição ou amor é vivido pelo ser humano, tem sua primeira experiência na FECUNDAÇÃO Por isso é necessário que a gestação seja regada de sentimentos de amor e acolhimento. Esse registro será determinante para que a pessoa apresente em sua vida características e comportamentos para toda sua vida.
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